Mundo erotizado

 

 

A revista Veja, do dia 21 de março de 2001, publicou matéria de capa sobre o comportamento sexual do brasileiro. A certa altura do texto, informa que “há uma peculiaridade brasileira que aumenta a preocupação dos especialistas: a erotização do cotidiano... Trata-se de um fenômeno relativamente recente, que nasceu há cerca de quinze anos, com o fim da censura imposta pelo regime militar. Desde então, ele vem assumindo proporções impressionantes. De comercial de sandálias a concursos de programas de auditório, de revistas para adolescentes a letras de música, quase todos os produtos dirigidos ao grande público são marcados por alusões maliciosas ou por situações mais explícitas... Essa intensa erotização atinge em cheio a infância, despertando antes da hora o interesse pelo sexo.”

John Ankerberg e John Weldon, no livro O Mito do Sexo Seguro, afirmam que bilhões de dólares têm sido gastos na educação sexual e nos programas de planejamento familiar. Mas mesmo assim a atividade sexual promíscua tem aumentado, trazendo sérias conseqüências. No livro há também um comentário do crítico de cinema Ted Baehr Movieguile, que menciona a revolução sexual como tendo rasgado em tiras a estrutura da sociedade. Em resultado disso, a confusão sexual tem propagado enfermidades, destruído famílias (o número de divórcios subiu de 6 por cento, no começo do século passado, para 51 por cento) e promovido violentos crimes sexuais contra as mulheres e as crianças (houve um aumento da ordem de 526 por cento no caso de estupros, desde a década de 1960).

Pense um pouco: A quem interessa toda essa situação? O sexo, quando praticado dentro dos limites do casamento, com uma pessoa a quem se ama, é um ato sublime de entrega, que remete à criação do ser humano. Deus disse a Adão e Eva que eles seriam uma só carne, e que ambos eram Sua imagem e semelhança. Como Satanás deturpa tudo aquilo em que põe a mão, podemos ter certeza de que ele também está por trás dessa onda crescente de erotismo, que avilta o sexo, algo que foi criado por Deus para a felicidade humana.

** “UM VÍCIO NOVO E PREOCUPANTE”

Este é o título de uma matéria publicada pela Veja, do dia 19 de julho do ano 2000. Note o que diz o texto: “A erotização da Internet é um fenômeno mais real do que se pode imaginar à primeira vista. As pesquisas internacionais mostram que um terço dos acessos à rede é feito por pessoas que buscam algum tipo de atividade sexual virtual. Incluem-se aí visitas aos sites de conteúdo sexual explícito e as intermináveis horas passadas nas chamadas salas de bate-papo erótico. ... Os especialistas vêm diagnosticando com freqüência o vício em sexo via Internet, que arruína casamentos e afasta as pessoas dos relacionamentos normais. No Brasil, os psicólogos já recebem pacientes se queixando de passar 14 horas por semana diante da tela em busca de aventuras eróticas virtuais. ... Em troca do prazer virtual, muitas pessoas perdem completamente o contato com a realidade e necessitam de cuidados especiais para se livrarem da doença – tal qual os viciados em drogas.” De acordo com o site www.x3church.com, 60 por cento dos homens cristãos têm algum problema relacionado com a área sexual.

Deixe-me destacar três coisas sobre esse vício: (1) “Arruína casamentos”; (2) “afasta as pessoas dos relacionamentos normais”; e (3) “muitas pessoas perdem completamente o contato com a realidade”. Mais uma vez pergunto: Quem é o maior interessado nessas conseqüências? A resposta, de novo, é satanicamente óbvia.

** VÍTIMAS DA PORNOGRAFIA

No livro Vivendo nos Limites, o Dr. James Dobson publicou uma conversa que teve com o estuprador e serial killer (assassino serial) Ted Bundy, 17 horas antes de sua execução na cadeira elétrica, numa cadeia da Flórida, em 1989. Na entrevista, Bundy conta que cresceu numa família bem estruturada e teve uma formação cristã. Seus problemas começaram quando encontrou, na rua, revistas pornográficas, e teve a atenção despertada para o assunto. “Essa paixão era o ponto maior”, disse Bundy, “e não sei por que eu era tão vulnerável a ela. Tudo o que sei é que a pornografia teve um impacto sobre mim que foi vital para todo o comportamento violento em que eu entrei.”

A escritora Laurie Hall foi outra vítima da pornografia, mas de modo diferente. Seu marido, filho de missionários, começou a olhar revistas indecentes de colegas de trabalho quando jovem, e o vício teve início. Estavam casados havia 18 anos quando ela descobriu por que ele se atrasava toda noite, não cumpria suas promessas e era tão ausente. Ele mantinha uma vida dupla, mas não conseguia mais sustentar a boa imagem que queria que os outros vissem. Estava afundado demais no mundo de fantasias que criara através da pornografia e da prostituição. Apesar do arrependimento sincero, ele levou anos para conseguir sair do vício. Laurie descreve essa luta em seu livro An Affair of the Mind, um alerta sobre os perigos reais da pornografia.

No capítulo 7, ela fala sobre o que a indústria da pornografia não quer que as pessoas saibam: “Aqueles que querem que você acredite que a pornografia é um direito garantido pelo primeiro artigo [da Constituição dos Estados Unidos] não vão falar sobre a devastação silenciosa que ocorre nos corações de homens, mulheres e crianças quando alguém da família adota a filosofia Playboy de relacionamentos descartáveis. Argumentam simplesmente que pornografia é ‘liberdade de expressão’ e tentam persuadi-lo de que não tem efeito algum além da excitação breve do momento. Querem que se pense que a pornografia é apenas um momento em meio a uma vida produtiva. Não querem que você saiba que as imagens e experiências produzidas pela pornografia são gravadas permanentemente em seu cérebro por uma curiosa mistura de hormônios que são liberados quando materiais explicitamente sexuais são vistos. ... Eles especialmente evitam que se saiba que, como resultado desse processo de ‘impressão’, sexo para você de agora em diante estará ligado ao medo, à violência, e à vergonha.”

O texto a seguir, escrito há um século por Ellen G. White, é hoje mais que atual; é um retrato de nossos dias: “As provocantes histórias de amor e os quadros impuros exercem uma influência corruptora. ... Fotografias de mulheres nuas são freqüentemente oferecidas à venda. ... É esta uma época em que a corrupção prolifera por toda a parte. A concupiscência dos olhos e as paixões corruptas são despertadas pela contemplação e pela leitura. O coração é corrompido pela imaginação. O espírito se compraz em contemplar cenas que despertam as mais baixas e vis paixões. Essas desprezíveis imagens, vistas através de uma imaginação deturpada, corrompem a moral e preparam as criaturas enganadas e imprudentes para darem rédeas soltas às paixões pecaminosas. Então se seguem pecados e crimes que arrastam os seres formados à imagem de Deus ao baixo nível dos animais, mergulhando-os afinal na perdição. Abstenham-se de ler e ver coisas que inspirem pensamentos impuros.” – Testemunhos Para a Igreja, vol. 2, pág. 410.

O patriarca Jó certa vez declarou: “Quando era jovem, fiz um trato com Deus. Nunca olharia para uma mulher com intenções impuras em meu coração” (Jó 31:1, Bíblia Viva). É difícil seguir esse piedoso exemplo quando se é constantemente bombardeado pela sensualidade exibida nos filmes e na mídia em geral. E Satanás, nos bastidores do mal, sabe muito bem disso. Por isso, a oração do Pai Nosso, hoje mais que nunca, deve ser uma constante em nossa vida: “Livra-nos do mal, Senhor.”

Os cristãos precisam opor resistência a essa avalanche de impureza que assola o mundo e mostrar que o sexo pode e deve ser vivenciado dentro do plano de Deus para os seres humanos. Devem mostrar na vida conjugal que sexo, carinho, pureza e felicidade podem e devem coexistir.

Michelson Borges é jornalista e autor do livro Nos Bastidores da Mídia (de onde este texto foi extraído e adaptado) (www.cpb.com.br)

 

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