Tem misericórdia de mim, ó SENHOR, porque
estou angustiado; consumidos estão de tristeza os meus olhos, a minha
alma e o meu corpo; Salmos 31:9.
Que tristeza de alma vemos nesses dois
textos, que, tanto Elias como o Salmista, expressam. Nos últimos anos,
a depressão humana tem sido amplamente discutida na sociedade e, pela
ciência, tem sido até mesmo pontuada como o mal do século. Mas, e as
crianças, os nossos pré-adolescentes e adolescentes, também sofrem de
ansiedade e depressão?
Todas as crianças se sentem infelizes de
tempos em tempos, tem dias ruins ou ficam tristes. Entretanto, quando
estes sentimentos persistem e interferem com a sua habilidade em
funcionar no cotidiano, a depressão clínica pode ser a causa.
Este mal em crianças, e mesmo em
adolescentes, pode ser manifesto de forma um pouco diferente daquele
revelado por adultos. Os sintomas incluem distúrbios de alimentação e
sono, dor de cabeça, dor de estômago, tonturas, insônia,
hiperatividade, apatia, retraimento, inibição, diminuição no
rendimento escolar, ansiedade, nervosismo e comportamento agressivo ou
destrutivo, agitação, diminuição da socialização, modificação da
atitude em relação à escola e perda de energia habitual. A depressão
envolve sentimentos mais negativos, como a perda da auto-estima,
sentimentos de autodepreciação, rejeição, irritabilidade, frustração,
culpa, oscilações de humor e as crianças afetadas tornam-se muito
exigentes e duras consigo mesmas, incluindo um forte senso crítico.
Podem, em casos mais graves e contínuos, evoluir para ameaças e
tentativas de suicídio.
A depressão não tem só uma causa. As
crianças podem desenvolvê-la devido a uma história familiar de
desordem ou por eventos diversos, como a perda de um parente, morte
dos pais, separações e divórcio, falta da figura do pai como uma
pessoa presente e apoiadora, discriminação, violência e maus tratos,
abandono, problemas familiares, genéticos e orgânicos (mal
funcionamento das glândulas endócrinas, um defeito físico ou doença),
falta de afeto (provocando insegurança, ausência de reações positivas
ou de estímulo), a demonstração de preferência por outro filho,
problemas de relacionamento com padrasto ou madrasta, problemas
financeiros da família, sensibilidade a punições e exigências e
mudanças de escola ou cidade.
Os tratamentos específicos podem ser com
medicamentos - farmacologia - e, para isso, consulte um pediatra ou
outro especialista que se fizer necessário. A psicoterapia é de
extrema importância no tratamento da depressão e ansiedade na infância
mas, quando a família é muito doente e os pais têm dificuldades
emocionais muito sérias, a criança pode estar em tratamento, porém,
vai continuar a conviver com aquele ambiente complicado. Neste caso, a
psicoterapia exclusiva não resolve. Os pais teriam de se tratar
também. A abordagem sistêmica de terapia familiar tem obtido retorno
positivo, pois, o envolvimento e a inclusão da família, no caso das
depressões, têm ocasionado mudanças e evoluções no quadro.
Outra forma de tratamento é a orientação
com a ajuda da pessoa do Espírito Santo, pois, o Senhor nos conhece
profundamente (Salmos 139). E lembre-se de que os esforços serão
inúteis, se não tivermos a unção do Espírito que despedaça todo o jugo
(Isaías 10:27). Podemos ajudar a criança a lidar com o problema,
auxiliando-a a falar sobre seus sentimentos, mostrando que não há
nenhum mal em demonstrá-los, mesmo que sejam negativos como a
tristeza. Deixe-a conhecer que você sabe o que ela está sentindo.
Procure a empatia mais que a simpatia.
Se o motivo da tristeza for a perda de um
ente querido, não esconda suas emoções, compartilhe-as com a criança.
Tenha mais contato físico com ela com demonstração de afeto, como
abraços e elogios, e dê-lhe mais atenção. Se a amargura deriva de um
erro escondido, ajude-a confessar e a receber perdão. Ajude-a, também,
na decisão de superar sentimentos negativos; demonstre que acredita na
sua força e capacidade; evite ficar excessivamente compadecido, isso
demonstrará apenas a incapacidade dela em defender-se. Reconstrua sua
auto-estima.
Faça com que ela pratique exercícios
físicos, pois, algumas substâncias químicas, liberadas pelo cérebro
durante as atividades físicas, naturalmente combatem a depressão;
cuidado com a dieta, não a deixe sem alimentar-se; mantenha-a ocupada,
seja sensível; dê apoio, adapte-se à situação e não evite aquela que
estiver deprimida; nunca implique e nem a deprecie por falta de
autoconfiança.
Tenha cuidado com a possibilidade de
suicídio. Entenda que a criança deprimida é uma criança machucada.
Para ela, a dor emocional é muito intensa, senão mais intensa que a
dor física.
Ela pode superar as emoções tristes e a
depressão, se tiver as ferramentas necessárias; para isso, devemos ser
persistentes em reagir ao seu abatimento. Tenhamos bom senso e, com
certeza, poderemos fazer muito - como líderes, pastores, professores e
pais - para ajudar nossos filhos e nossas crianças a atravessar este
momento da vida, pois, a nossa força e a nossa fortaleza vem do
Senhor. Ele é o socorro para a angústia e, com Ele, podemos todas as
coisas (Salmos 31:3; 46:1 e Filipenses 4:13).