(Igreja do Evangelho Quadrangular do Parque Estoril - Sede II)

São José do Rio Preto - SP - Brasil,
Por Pastora Mônica Regina Galvão Ribas   
 


"Ele mesmo, porém, se foi ao deserto, caminho de um dia, e veio, e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte e disse: Basta; toma agora, ó SENHOR, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais". I Reis 19:4.

 

ANSIEDADE E DEPRESSÃO NA INFÂNCIA
 

      Tem misericórdia de mim, ó SENHOR, porque estou angustiado; consumidos estão de tristeza os meus olhos, a minha alma e o meu corpo; Salmos 31:9.

      Que tristeza de alma vemos nesses dois textos, que, tanto Elias como o Salmista, expressam. Nos últimos anos, a depressão humana tem sido amplamente discutida na sociedade e, pela ciência, tem sido até mesmo pontuada como o mal do século. Mas, e as  crianças, os nossos pré-adolescentes e adolescentes, também sofrem de ansiedade e depressão?

     Todas as crianças se sentem infelizes de tempos em tempos, tem dias ruins ou ficam tristes. Entretanto, quando estes sentimentos persistem e interferem com a sua habilidade em funcionar no cotidiano, a depressão clínica pode ser a causa.

      Este mal em crianças, e mesmo em adolescentes, pode ser manifesto de forma um pouco diferente daquele revelado por adultos. Os sintomas incluem distúrbios de alimentação e sono, dor de cabeça, dor de estômago, tonturas, insônia, hiperatividade, apatia, retraimento, inibição, diminuição no rendimento escolar, ansiedade, nervosismo e comportamento agressivo ou destrutivo, agitação, diminuição da socialização, modificação da atitude em relação à escola e perda de energia habitual. A depressão envolve sentimentos mais negativos, como a perda da auto-estima, sentimentos de autodepreciação, rejeição, irritabilidade, frustração, culpa, oscilações de humor e as crianças afetadas tornam-se muito exigentes e duras consigo mesmas, incluindo um forte senso crítico. Podem, em casos mais graves e contínuos, evoluir para ameaças e tentativas de suicídio.

      A depressão não tem só uma causa. As crianças podem desenvolvê-la devido a uma história familiar de desordem ou  por eventos diversos, como a perda de um parente, morte dos pais, separações e divórcio, falta da figura do pai como uma pessoa presente e apoiadora, discriminação, violência e maus tratos, abandono, problemas familiares, genéticos e orgânicos (mal funcionamento das glândulas endócrinas, um defeito físico ou doença), falta de afeto (provocando insegurança, ausência de reações positivas ou de estímulo), a demonstração de preferência por outro filho, problemas de relacionamento com padrasto ou madrasta, problemas financeiros da família, sensibilidade a punições e exigências e mudanças de escola ou cidade.

        Os tratamentos específicos podem ser com medicamentos - farmacologia - e, para isso, consulte um pediatra ou outro especialista que se fizer necessário. A psicoterapia é de extrema importância no tratamento da depressão e ansiedade na infância mas, quando a família é muito doente e os pais têm dificuldades emocionais muito sérias, a criança pode estar em tratamento, porém, vai continuar a conviver com aquele ambiente complicado. Neste caso, a psicoterapia exclusiva não resolve. Os pais teriam de se tratar também. A abordagem sistêmica de terapia familiar tem obtido retorno positivo, pois, o envolvimento e a inclusão da família, no caso das depressões, têm ocasionado mudanças e evoluções no quadro.

       Outra forma de tratamento é a orientação com a ajuda da pessoa do Espírito Santo, pois, o Senhor nos conhece profundamente (Salmos 139). E lembre-se de que os esforços serão inúteis, se não tivermos a unção do Espírito que despedaça todo o jugo (Isaías 10:27).  Podemos ajudar a criança a lidar com o problema, auxiliando-a a falar sobre seus sentimentos, mostrando que não há nenhum mal em demonstrá-los, mesmo que sejam negativos como a tristeza. Deixe-a conhecer que você sabe o que ela está sentindo. Procure a empatia mais que a simpatia.

       Se o motivo da tristeza for a perda de um ente querido, não esconda suas emoções,  compartilhe-as com a criança. Tenha mais contato físico com ela com demonstração de afeto, como abraços e elogios, e dê-lhe mais atenção. Se a amargura deriva de um erro escondido, ajude-a confessar e a receber perdão. Ajude-a, também, na decisão de superar sentimentos negativos; demonstre que acredita na sua força e capacidade; evite ficar excessivamente compadecido, isso demonstrará apenas a incapacidade dela em defender-se. Reconstrua sua auto-estima.

      Faça com que ela pratique exercícios físicos, pois, algumas substâncias químicas, liberadas pelo cérebro durante as atividades físicas, naturalmente combatem a depressão; cuidado com a dieta, não a deixe sem alimentar-se; mantenha-a ocupada, seja sensível; dê apoio, adapte-se à situação e não evite aquela que estiver deprimida; nunca implique e nem a deprecie por falta de autoconfiança.

       Tenha cuidado com a possibilidade de suicídio. Entenda que a criança deprimida é uma criança machucada. Para ela, a dor emocional é muito intensa, senão mais intensa que a dor física.

        Ela pode superar as emoções tristes e a depressão, se tiver as ferramentas necessárias; para isso, devemos ser persistentes em reagir ao seu abatimento. Tenhamos bom senso e, com certeza, poderemos fazer muito - como líderes, pastores, professores e pais - para ajudar nossos filhos e nossas crianças a atravessar este momento da vida, pois, a nossa força e a nossa fortaleza vem do Senhor. Ele é o socorro para a angústia e, com Ele, podemos todas as coisas (Salmos 31:3; 46:1 e Filipenses 4:13).

 

Pastora Mônica Regina Galvão Ribas
Coordenadora Nacional dos GMC e GMJR
Psicóloga - Terapeuta Familiar
monycar@terra.com.br
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