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Igreja Metodista
Unida dos EUA se reaviva para voltar aos ideais de Wesley
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O pastor Scott McDermott mudou-se para o leste do estado da
Pensilvânia (EUA) em 1993 para assumir uma igreja metodista de 700
membros em Washington Crossing, subúrbio da Filadélfia. A
congregação passara por problemas financeiros, e McDermott começou
a orar para que o Espírito Santo o orientasse. Num domingo,
enquanto dirigia um estudo do livro de Neemias, McDermott
perguntou aos participantes o que aconteceria se eles anunciassem
sete dias de júblio, semelhantemente ao relato do Antigo
Testamento. Alguém gritou do último banco da Igreja: "Vamos fazer
isso!" A idéia do pastor se confirmava. "Quando as pessoas falam
com você da última fila de bancos de uma igreja metodista, é
porque foi mesmo movida por Deus", diz McDermott, rindo.
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Uma série de cultos especiais de adoração e júblio foi planejada
para semana seguinte. Na noite de segunda-feira, cerca de 30 pessoas
participaram. No culto da terça-feira, McDermott sentiu direção de
Deus ungir todos os presentes com óleo e orar para que "um espírito de
júblio" os enchesse. Depois de uma hora de cânticos e orações, as
pessoas se aproximaram do altar. Enquanto o pastor orava, a terceira
pessoa da fila caiu no chão, tomada pelo poder do Espírito Santo. O
mesmo aconteceu com todos os demais. Na quarta-feira à noite, 125
pessoas vieram à frente, e McDermott orou por duas horas seguidas. Ele
não entendia o que estava acontecendo, mas compreendeu que orar
daquele jeito com as pessoas deu uma nova dimensão ao seu ministério.
"É como se você pudesse ver o coração das pessoas e enxergar o
quebrantamento."
Os dias de júbilo Washington Crossing foram muito além de uma
semana. A sensação da presença de Deus exerceu forte impacto sobre as
reuniões de oração. O órgão da igreja foi vendido, e guitarras foram
introduzidas nos cultos de adoração que substituíram a liturgia
tradicional. O que antes não passava de rotina foi sobrepujado pela
visitação do poder de Deus. Durante um culto dominical, o período de
oração ultrapassou os 90 minutos habituais: com um intervalo de apenas
15 minutos, McDermott orou com a igreja durante seis horas. "Todas as
pessoas caíram no chão sob o peso dos seus julgos. Tiramos as cadeiras
para abrir espaço", lembra.
Fogo Consumidor - Quando aquele reavivamento começou em 1994,
McDermott percebeu que precisava pastorear uma congregação que
experimentava uma renovação espiritual, algo que jamais aprendera
durante o seminário. Ironicamente, ele encontrou as orientações de que
precisava nos escritos de John Wesley, fundador do movimento
metodista. O pastor entendeu que o velho metodismo era muito mais
pentecostal do que a igreja admitia.
McDermott não foi o único dos 8 milhões de membros da Igreja
Metodista Unida (IMU) americana a experimentar o toque do Espírito
Santo.
De alguns anos para cá, um avivamento carismático espalha-se
pela mesma denominação, que vinha enfrentando uma baixa considerável
de membros e problemas internos. Enquanto os bispos discutem se
homossexualismo é pecado e se a Bíblia merece crédito, um número cada
vez maior de membros das igrejas estão redescobrindo as origens do
movimento, baseadas na ênfase à santidade, zelo evangelístico e
compaixão pelos pecadores. E estão dispostos a recuperar este passado.
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Jonh Wesley (1703 - 1791) e seu irmão Charles (1707 - 1788),
fundadores do metodismo, geraram um movimento caracterizado pela
abertura ao mover do Espírito Santo. Sua mensagem alastrou-se para
a Grã- Bretanha como um fogo consumidor e alcançou a América. Os
pregadores itinerantes que ele treinou estabeleceram, durante os
séculos 18 e 19, os fundamentos de uma denominação que hoje consta
com 36 mil igrejas nos Estados Unidos. O metodismo derivou para o
movimento que enfatizava a operação do Espírito Santo na
purificação do crente, o que levou, indiretamente, ao nascimento
do pentecostalismo do início do século 20. |
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Mas o fogo foi se esfriando. Nos últimos tempos, a Igreja
metodista Unida centralizou tanto seu foco no liberalismo que Wesley
provavelmente não reconheceria se viesse do passado para vê-la. No
início deste ano, depois da celebração do casamento de duas lésbicas
por um pastor metodista de Omaha, no estado de Nebrasca, evangélico de
dentro e de fora da denominação anunciavam seu fim. O incidente ganhou
manchetes em vários jornais do país, mas ninguém noticiou a onda de
renovação espiritual que está varrendo a IMU. Ainda é cedo para se
falar numa tendência, mas segundo Stephen Seamands, professor do
Seminário Teológico de Asbury, "a Igreja Metodista Unida está, aos
poucos, atravessando a pés secos o rio do reavivamento".
Ênfase na Oração - Wesley era um apóstolo em seu tempo, um
visionário", afirma Terry Teckyl, pastor da IMU com base no Texas,
líder de uma campanha para recrutar 1 milhão de cristãos até o ano
2000 para orar pela denominação. "Wesley preocupava-se mais em buscar
o poder de Deus. Corria riscos para alcançar mais pessoas do que
qualquer outra época. É exatamente isto que muitos metodistas, guiados
pelo Espírito de Deus, estão fazendo." Quem visita uma dessas igrejas
metodistas avivadas encontra ênfase na oração: intercessão pelos
pastores, curas, reuniões domésticas. Paralelamente, por conta de mais
abertura ao trabalho do Espírito Santo, cresce o interesse pela
disciplina cristã e a descoberta de uma vida de mais intimidade com
Deus. Na igreja de Scott McDermott, esta postura levou ao crescimento:
oito pastores atendem a comunidade; 27 congregações contam com
aproximadamente 300 pessoas; e alguns membros participam de um grupo
de apoio a um ministério estabelecido em Camden, em Nova Jersey. A
oração é o denominador comum entre a igreja de McDermott e a Igreja
Metodista Unida de Pine Forest, em Pensacola, na Flórida. Lá soprou o
mesmo vento de avivamento da vizinha Assembléia de Deus de
Brownsiville, em 1995. A mocidade de Pine Forest começou efetivamente
a orar por seus pais e pela comunidade a 8 anos. Quando o avivamento
teve início em Brownsiville, a curiosidade atraiu jovens metodistas,
que iam em número cada vez maior aos encontros pentecostais.
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Linda Smith, diretora de programação da igreja, diz que
aquelas visitas provocaram mudanças radicais. "A oração tomou
conta da igreja. Quando o avivamento começou, tínhamos dois ou
três grupos de oração semanais. Agora são 19." Perry Dalton,
pastor da Igreja Metodista Unida de Pine Forest, diz que sua
congregação já começara a experimentar a renovação espiritual
antes de junho de 1995. "Quando o avivamento chegou a Brownsiville,
é como se tivessem derramado gasolina sobre o fogo", compara.
Assim como McDermott, Dalton releu os textos de Wesley.
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Doze discípulos - Logo Pine Forest começou a receber grupos de
visitantes. Com o tempo, criou uma concorrida conferência anual de
pastores metodistas na qual cura, arrependimento e compromisso com
santidade são temas recorrentes. A mocidade da igreja de Perry Dalton
percorre os EUA, liderando campanhas evangelísticas. "Temos visto
pessoas curadas e relacionamentos restaurados", diz o pastor. "Jovens
estão deixando as drogas. As pessoas estão realmente aceitando Cristo
nos corações".
O mesmo fenômeno acontece na IMU de Toledo, em Ohio, pastoreada
nos últimos oito anos por uma mulher, Pat Mc Kinstry. Ela assumiu uma
igreja que definhava, à beira de fechar as portas. "Fui a primeira
mulher e a primeira negra à frente da congregação, eminentemente
branca e de classe média. Acho que eles esperavam que eu me
conformasse com o tradicionalíssimo deles, mas eu sabia que a igreja
estava morrendo. Iniciei um trabalho com uma dúzia de pessoas, às
quais disse: Se Deus quer construir a sua igreja, então precisamos
buscá-lo."
Mc Kinstry e seus discípulos começaram a orar. A pastora passou
a ensinar sobre o Espirito Santo e sugeriu sete dias de oração e busca
de poder. Sua iniciativa contagiou a igreja, que partiu para um
trabalho na periferia da cidade. Vários líderes de gangues,
traficantes e prostitutas aceitaram Jesus, e alguns deles encontraram
na comunidade da igreja o lar que não tinham. "Alguns chegaram
drogados ou bêbados", conta Mc Kinistry. "Ninguém os criticou, apenas
tentamos tocar seus corações. Eu sabia que, se a Palavra de Deus
penetrasse suas vidas, as limparia de uma forma que as regras e
formalismo não conseguiriam."
Atualmente, a IMU de Toledo tem cerca de 640 membros, dos quais
75% entraram pela primeira vez numa igreja através desse trabalho de
evangelização. Ex- budistas, ex- testemunhas de jeová e vários
estrangeiros foram alcançados. "Quando usamos os mesmos princípios de
Jesus para construir a igreja, não tem erro", garante Mc Kinstry.
Primeira Convocação - Não muito longe de Toledo, na cidade de
Muncie, no estado de Indiana, a IMU Union Chapel passou de uma
audiência média de 70 pessoas nos cultos, em 1981, para 1,3 mil hoje
em dia. O avivamento começou logo depois que o pastor veterano Gregg
Parris descobriu as reuniões de oração que algumas senhoras realizavam
a três décadas, sempre clamando por renovação espiritual. O testemunho
de um organista num domingo levou um membro importante da igreja ao
arrependimento público, e a audiência dobrou no domingo seguinte,
quando mais de 20 pessoas aceitaram Jesus.
"É importante que, como pastores, permitamos que Deus ponha o
fogo de seu Espírito Santo em nossas vidas", diz Scott McDermott.
"Penso que o Senhor está tentando chamar a atenção dos pastores para
dois aspectos: a necessidade de renovação espiritual e do
desenvolvimento de uma liderança capaz de sustentar este reavivamento.
É tempo de buscar isso, de acreditar de fato na mudança radical que
Deus pode fazer em nós e em nossas congregações. E a primeira
convocação é para a oração."
Se os pastores responderem ao desafio de McDermott, a mesma
coisa que aconteceu em seu altar em 1994 poderá repetir-se nas igrejas
metodistas em todos os EUA. Igrejas que podem estar espiritualmente
falidas hoje, mas - como Jonh Wesley sabia bem - é a madeira seca que
pega fogo mais rápido.
Fonte: Revista VINDE
Autor: Jonh M. DeMarco |